Hotel Mathias City, Budapest - Uma experiência digna de Bram Stocker.
Somente para quem está muito de bem com a vida!
O hotel fica na rua Marcius, ponto bastante central de Budapest.
O taxi me deixou na frente do hotel, que fica num prédio antiquíssimo, muito mal cuidado, como a maioria dos prédios de Budapest.
Quando comecei a subir uma escadaria de mármore toda corroída, senti o drama.
Na recepção o cara estava de mau humor e me atendeu mal. Ele parecia o Nosferatu do Max Schreck, no filme de Murnau, em 1922.
Ele era alguem parecido com o Michel Temer, candidato a vice da bruxa Dilma, que também é do time dos horrores e dos terrores.
Tudo a ver com o clima do hotel!
Ele me deu a chave (surpresa, um cartão magnético!) e disse que o quarto ficava na direção tal, atravessando o saguão, abrindo a porta tal com o cartão, depois subindo uma escada em caracol, dobrando a direita, descendo dois degraus, depois dobrando a esquerda, etc. Naturalmente, me perdi e voltei ao cara da recepção, que ficou indignado por eu não conseguir localizar algo tão fácil, segundo ele. Aí eu soltei minhas feras, que já estavam vociferando, contidas, dentro da jaula.
Gritei alto com ele e disse que a coisa podia ser fácil para ele, que trabalhava naquela cripta, há séculos.
Aí as coisas mudaram. Ele me acompanhou até um pedaço e me mostrou como transpor o primeiro obstáculo. Depois de vários erros, consegui chegar ao quarto 167.
Quarto espartano, cama digna de um aspirante a monge budista. Afinal eu estava em BUDApest!
Quando olho pela janela, vejo um corvo sentado na amurada! Pronto, a produção caprichou no cenário! Depois fiquei sabendo que o prédio tinha sido a residência de Mathias Corvinus, Rex Hungaria...
Foi uma noite um pouco agitada, olhando para a janela, esperando a visita de algum hematófago sedento.
Na manhã seguinte, desci para a cripta, onde seria servido o desjejum. Aí foi que caiu a minha ficha! Eu estava num hotel-museu e não num hotel qualquer.
Nesse momento comecei a mudar de opinião e passei a encarar a situação com outros olhos, com olhos de arqueólogo, a quem tinha sido dada a oportunidade de desvendar os mistérios de Mathias Corvinus.
O ambiente era muito escuro, iluminado por castiçais (era luz elétrica - a produção falhou nesse ponto...) pendurados nas paredes e no teto.
Quando consegui sentar a uma mesa, eis que surge uma horda de turistas famintos, invadindo o ambiente.
Me lembrei do filme do Roman Polanski, a Dança dos Vampiros, onde a vampirada secular levantava do túmulo para ir ao baile anual, oferecido pelo Conde Drácula.
Surpresa! O desjejum era delicioso! (Acho que tinha até sangue, para os mais ortodoxos, naturalmente...)
Explico: o hotel recebe várias excursões, todos os dias, vindas de toda a parte da Europa.
Mas, deixando de lado o sarcasmo, Budapest é maravilhosa.
Mal conservada, é verdade, mas imponente.
Parece que alí a Europa terminou, dando lugar a um clima de Istambul, um clima já do oriente. Os imigrantes turcos são numerosos, diga-se de passagem.
E as termas? Ah! as termas! Só isso já é um motivo para visitar Budapest.
As duas mais famosas são a Gellért a Széchenyi . Fui um dia em cada uma.
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